(Source: deforest, via thebowclub)

- qu’est-ce que tu vas faire avec mon amour?
longtemps, le silence, la mort des minutes.
- je vais me faire mieux.

às margens

Dos segundos transcorridos se faz o término. Apaixonar-se também é dizer adeus. Simples e doloroso. O término se antecipa ao primeiro beijo, quando os segundos vão. Ter amado é também ter aprendido a se despedir, a renegar reencontros ou a entender partidas. Não nos enganemos: não seríamos mais felizes se não nos déssemos adeus. Seríamos as margens de um riacho - que corre. E sofreríamos por não poder partir.

"Se a função do preconceito é defender o homem julgante para não se expor abertamente a cada realidade encontrada e daí ter de defrontá-la pensando, então as visões de mundo e ideologias cumprem essa tarefa — tão bem que protegem contra toda experiência, pois supostamente todo o real está nelas previsto de alguma maneira."

— Hannah Arendt

(Source: omyt, via the-merman-motel)

viola-goes-to-hollywood:

A Fool There Was, Frank Powell, 1915

viola-goes-to-hollywood:

A Fool There Was, Frank Powell, 1915

Amor não se multiplica por 4
Eu queria só dançar com meus amigos. Apenas dançar. Mas acabei encontrando quatro amores malogrados na balada. Quatro histórias que foram mas parecem não ter sido. Quatro pessoas agora estranhas a mim, que me cumprimentam tímidas ou, pior, não me cumprimentam.
É irônico ver que somos estranhos ou nos fazemos estranhos a partir do momento em que nos descartamos; assim, depois do sexo, depois de dizer um tchau por mensagem. Estranho saber que da intimidade também nasce a indiferença, cruel e objetiva.

De todos esses amores, eu não guardei muita coisa, a não ser as possibilidades do que poderia ter sido. Engraçado vê-los todos juntos, num mesmo lugar, reviver coisas conjuntas, o tempo todo o passado ao seu lado, a música a tocar, a cabeça pesada de álcool, os arrependimentos, os arrependimentos.

Na pista, dava para ver todos ao meu redor. Havia muitas pessoas, o tempo todo, eram bonitas, pareciam se divertir, mas elas tinham o que eu não gosto, ela têm um verniz que eu não acho justo, não acho sensato com a vida. Elas disfarçam o tempo todo. Eu não entendo como. Parecem fantoches.

Fantoche é uma palavra forte, e eu vejo desejo e força própria vindos delas. Eu não acho que haja uma força obscura, mas todas elas são o mesmo e querem o mesmo. Perseguem a beleza, a juventude, o sexo, a beleza, o ardor. Perseguem e não sabem bem aonde vão parar. Querem o imediato, querem a música já, dançam e não se olham, esperam algo além. Mas acabam aquém do que queriam, entregam-se ao que lhes parece satisfatório momentaneamente. Gozam de amores irrisórios.

Triste.

Esses quatro amores também me mostraram outra coisa. Que eu sou o problema, que assim como todos, procuro nas pessoas o inatingível, enumero listas e saio atrás de quem os preenche, olho a beleza antes de se apresentar, costuro expectativas antes de ter motivos, nunca me imagino só mesmo estando só.

Foram quatro amores, e eu chorei no banheiro de casa por ter sido idiota no mínimo quatro vezes. Não sou muito diferentes dos outros, que estão por aí, perdidos com a música, embalados pelo imediatismo da busca de um amor belo e de alguém belo para se apaixonar.

Não há mais conversas, não há mais amores platônicos. Tudo ficou numa pista de dança, em que olhares não se encontram, em que todos se olham de esguelha.

Acho que assim não consigo mais dançar.

Amor não se multiplica por 4

Eu queria só dançar com meus amigos. Apenas dançar. Mas acabei encontrando quatro amores malogrados na balada. Quatro histórias que foram mas parecem não ter sido. Quatro pessoas agora estranhas a mim, que me cumprimentam tímidas ou, pior, não me cumprimentam.

É irônico ver que somos estranhos ou nos fazemos estranhos a partir do momento em que nos descartamos; assim, depois do sexo, depois de dizer um tchau por mensagem. Estranho saber que da intimidade também nasce a indiferença, cruel e objetiva.



De todos esses amores, eu não guardei muita coisa, a não ser as possibilidades do que poderia ter sido. Engraçado vê-los todos juntos, num mesmo lugar, reviver coisas conjuntas, o tempo todo o passado ao seu lado, a música a tocar, a cabeça pesada de álcool, os arrependimentos, os arrependimentos.



Na pista, dava para ver todos ao meu redor. Havia muitas pessoas, o tempo todo, eram bonitas, pareciam se divertir, mas elas tinham o que eu não gosto, ela têm um verniz que eu não acho justo, não acho sensato com a vida. Elas disfarçam o tempo todo. Eu não entendo como. Parecem fantoches.



Fantoche é uma palavra forte, e eu vejo desejo e força própria vindos delas. Eu não acho que haja uma força obscura, mas todas elas são o mesmo e querem o mesmo. Perseguem a beleza, a juventude, o sexo, a beleza, o ardor. Perseguem e não sabem bem aonde vão parar. Querem o imediato, querem a música já, dançam e não se olham, esperam algo além. Mas acabam aquém do que queriam, entregam-se ao que lhes parece satisfatório momentaneamente. Gozam de amores irrisórios.


Triste.



Esses quatro amores também me mostraram outra coisa. Que eu sou o problema, que assim como todos, procuro nas pessoas o inatingível, enumero listas e saio atrás de quem os preenche, olho a beleza antes de se apresentar, costuro expectativas antes de ter motivos, nunca me imagino só mesmo estando só.



Foram quatro amores, e eu chorei no banheiro de casa por ter sido idiota no mínimo quatro vezes. Não sou muito diferentes dos outros, que estão por aí, perdidos com a música, embalados pelo imediatismo da busca de um amor belo e de alguém belo para se apaixonar.



Não há mais conversas, não há mais amores platônicos. Tudo ficou numa pista de dança, em que olhares não se encontram, em que todos se olham de esguelha.



Acho que assim não consigo mais dançar.

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